Gestão de Crise

Durante quase meio século no mundo dos negócios, já vi nosso país e outros passarem por várias crises. A atual talvez seja a mais séria de todas. Mas apesar da diferença de intensidade e extensão geográfica, as grandes crises guardam algumas lições em comum.

Primeiro todas acabam terminando, mais dia ou menos dia. Portanto é preciso trabalhar em duas frentes. Primeiro como enfrentar, sobreviver e atravessar a tempestade que nos assola.


Apresentarei em seguida algumas práticas que podem ajudar a fazer isto. Mas é também importante pensar em como serão o mundo e os mercados depois da crise. Porque certamente não voltaremos à situação anterior, e empresas que sobrevivem a tempestade inicial podem naufragar depois se não reconheceram as mudanças que virão para ficar.

Junto também algumas conclusões de uma pesquisa feito pela Brightline sobre gestão de crise junto a 1,800 CEO’s


Voltando para a gestão da crise. Algumas observações.


1. A importância da liderança. Tanto pânico como liderança são contagiosos. Se os diretores entrarem em pânico, a empresa acaba. Mas se o líder, ou os líderes, demonstrarem liderança, os outros executivos farão o mesmo.


2. Atitude. Seja realista, nem otimista nem pessimista. Lembro aqui o paradoxo Stockdale. Jim Stockdale era um piloto na guerra do Vietnã, que foi capturado, preso e torturado quase diária durante 8 anos. Depois de fugir ele contou que os otimistas e os pessimistas haviam sido os primeiros a morrer no campo de concentração. Disse que era importante acreditar que sobreviveria no final, ao mesmo tempo que reconhecesse os fatos brutais da situação em que se encontrava


3. Comunicação. Fake News e fofocas e boatos se espalham porque não tem informação verdadeira disponível e as pessoas não tem dados para contestar o Fake News. Portanto é vital que os diferentes departamentos façam reuniões diárias, que o Presidente faça uma comunicação diária. Não precisa ser presencial. Pode ser e-mail, vídeo etc. É aconselhável não ser muito autoritativo nestes momentos porque não sabemos o que vai acontecer, e ai o líder corre o risco de perder a credibilidade. Melhor explicar quais as hipóteses em que o caminho escolhido foi baseado. Se estas hipóteses não se confirmarem, é normal que se mude o caminho.


4. Sistemas e processos. Estas precisam mudar para tornar a empresa mais ágil, com possibilidade de reação mais rápida. Não se pode aplicar durante a guerra os mesmos processos que nos termos de paz.


5. Análise de impacto. Faça um exercício de análise de impacto., desdobrar as atividades atuais da empresa em 5 categorias

5a. Se não fizer nada e continuar como está, quais serão as consequências? (Isto para criar um sentido de urgência).

5b. O que vai sofrer um impacto dramático, e precisa de mudança radical?

5c. O que vai sofrer um impacto menor, mas que precisa de adaptação?

5d. O que não deve sofrer impacto e pode continuar?

5e. Quais as oportunidades que se apresentam e estão ao nosso alcance no curto prazo?


6. Nova prioridades.

Em função do exercício de análise de impacto, é inevitável que a empresa mude suas prioridades. Por exemplo, lucrar com a crise às custas da tragédia humana, não é apenas indefensável moralmente, como também menos importante para a sobrevivência e futuro de empresa do que proteger sus funcionários, atender as necessidades de seus clientes, manter a cadeia de suprimento.


7. Realizar outro exercício de impacto sobre o processo de planejamento, tendo com base não as atividades atuais da empresa, mas as medidas, mudanças e inovações previstas no plano de negócios.


8. Algumas conclusões da Pesquisa da Brightline

91% dos CEO’s pesquisados reportaram que mudaram suas prioridades com a crise.

71% declararam que uma compreensão melhor das prioridades melhorou o sentido de direção

93% concordaram que diante da crise mudaram seus processos operacionais.

75% afirmaram que a crise tornou sus empresas mais fortes na implementação ou execução

91% disseram que o processo decisório se acelerou bastante

93% das empresas de alto desempenho reconheceram que a crise descobre novos líderes dentro da empresa.

75% das modificações a estrutura organizacional permaneceram depois da crise


Ou seja, as empresas que sobreviveram saíram mais fortes depois da crise!

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